Ainda Estou Aqui – Die Woche #6

Sim, ainda estou aqui e isto é mais uma tentativa de me convencer do real que me rodeia. Mais uma tentativa de fazer com que o verbo encarne, porque eu só sei existir por escrito. É através das palavras, muitas vezes ainda enfileiradas em um ritmo catártico, que organizo a confusão interna. E até, quem sabe, são elas, as palavras, a minha ferramenta para transmutar todo o veneno.

Sim, ainda estou aqui e isto ainda é sobre a confusão interna, sobre o veneno, sobre, em última instância, o tempo.
Sobre o tempo que passou, digo sem temer todo o clichê que se resume nisto.

Hoje. Madrugada de Segunda-feira, três de abril de dois mil e dezessete. Lua em câncer. Nove meses.
Nove meses  que resolvi mergulhar no desconhecido na tentativa de me resgatar de tantos abismos nos quais me joguei. Nove meses em que busco dentro de mim mesma os sentimentos que o corpo cansado de tantas violações e navalhas desaprendeu a sentir. Corpo que tantas vezes quis abandonar por não suportar todas as memórias nele marcadas.

Nove meses, lua em câncer, atrás de mim um domingo de outono e céu de nuvens claras. A memória e o mangue que gesta e nutre a vida. Vida, esta minha escolha ainda vacilante. Memória, este eterno revolver a mim mesma para me achar dentro da minha história.

Mangue, túmulo e útero. Eu parindo um eu mais forte. Tudo converge, foram necessários muitos túmulos e muitos partos para que eu conseguisse estar aqui, de pé, sem nem saber ao certo como ainda me sustento, mas de pé, nas quatro patas.

IMG_20170403_014431

Ainda estou aqui e gostaria de poder resumir toda a magia que pude experienciar neste mergulho dentro de mim mesma, mas agora sou apenas um eco pálido de gratidão vagando dentro de uma insônia amarga e confusa. Ainda assim, isto é a tomada de fôlego antes do próximo mergulho, a intenção que evoca força e coragem para ir ainda mais fundo.

Então, que fique aqui como registro, como lembrete, migalhas de pão que deixo, talvez inutilmente, pelo caminho que segue só em um sentindo: em frente. Cavo algum sentimento já quase dentro de um entorpecimento lírico e venho falar das pessoas, das experiências, das conversas e descobertas feitas nesta terra onde ainda falho em compreender sua magia.

Venho finalmente falar do rio correndo para o mar, do nascer do sol, das cirandas ao luar. De tudo que agora me transborda, sim venho falar do sonho e de acordar dentro dele: estar simplesmente aqui, presente. E lembrar que sou luz, e saber que terei sempre comigo a magia de um dia branco.

15591648_363866917305640_5996429666111530087_o

Ainda estou aqui, e estou aqui. Diante de mim todos os pedacinhos de mim mesma. Ainda estou aqui, e estou aqui para me fazer inteira.


Instagram ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Twitter ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Facebook ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Filmow ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Skoob ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Flickr 

“Take These Broken Wings And Learn To Fly” – Die Woche #5

Durante muito tempo fui guiada pela falsa impressão de que enquanto o mundo ao meu redor girava, a minha vida havia estagnado num ponto onde absolutamente nada acontecia. Falsa impressão até certo ponto, porque muito pouco fiz com que acontecesse nesses últimos anos, mas tenho a certeza de que todos os longos caminhos internos que precorri me ensinaram muita coisa.

Uma mudança vem se desenhando lentamente. Hoje posso falar sobre uma nova tomada de consciência, posso dizer também que tenho muito mais tranquilidade e clareza. Mas nada disso afasta o medo que se torna cada vez maior a medida que se aproxima o momento de iniciar uma nova caminhada sem saber ao certo o que virá depois do primeiro passo. Mas isso talvez nunca se possa mesmo saber.

Durante todos os últimos quatro anos ensaie um reinício de vida onde estaria plenamente consciente e qualquer mudança de espaço físico viria de um planejamento, não de uma fuga, coisa que muitas vezes fiz. Acreditava e desejava que o mais importante seria conquistar uma independência que de fato nunca tive. O que realmente aconteceu foi perceber que além da independência não conquistada eu ainda me iludia acreditando possuir alguma autonomia.

Nesses últimos anos adoeci acreditando que precisava me manter isolada para me curar, e me afundei cada vez mais em mim. Não entendia porque todas as tentativas de me mover só geravam frustração e novas dores que imediatamente soma às antigas e me escondia e remoía; sem compreender que estava caminhando em areia movediça. Tudo parece realmente mais simples agora, tanto drama desnecessário, tanto medo, preguiça, desculpas, caprichos. Defeitos, que não valem a pena remoer. Dores que prolonguei demais e que agora ainda falho em lidar, mas aceito, nomeio, transformo, nenhum fardo se deve carregar por toda uma vida.

Koloman Moser
Koloman Moser

Confiar em minha intuição, ter paciência e coragem, mesmo quando sinto medo, são coisas que aprendo agora depois de ter me dado conta que quero viver, quero muito viver. E que a mudança que sempre desejei pra mim é possível, mesmo não sendo da forma como planejei, mesmo precisando lidar com percalços, negociar alguma autonomia dentro de uma situação onde não alcancei a independência que me é tão cara. E aceitar, e ser grata, pela ajuda que chega quando talvez eu não conseguisse sair sozinha do poço sem fundo que me enfiei. Aceitar depender por mais um tempo, mas aceitar isso como uma ajuda, uma possibilidade de curar tudo o que me impedia de ser livre em tantos sentidos.

Agora são poucas as coisas que de fato me entristecem. Mas são mais reais também, porque são minhas. Percebo em mim muitas coisas que não quero mais carregar, opiniões, formas de me expressar, mágoas que ainda arrasto, mortos que ainda não enterrei, um passado que depois de exaustivamente gritado em palavras mudas eu posso finalmente deixar para trás. E todos aqueles clichês sobre não repetir antigos comportamentos e ser alguém novo podem de fato acontecer. Eu acredito nisso.

Não sei como terminar, isto que escrevo agora é algo que continua, uma metamorfose discreta e lenta onde tento criar a leveza que desejo para viver digerindo o peso que me neguei por muito tempo a encarar; mas repetia exaustivamente numa ladainha ensaiada que ainda não deixei completamente de redizer. Mas fica aqui meu mais forte anseio de conseguir esticar asas inteiras ainda na próxima primavera.


Instagram ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Twitter ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Facebook ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Filmow ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Skoob ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Flickr 

Não Tá Fácil Existir – Die Woche #4

Tanta coisa acontecendo, lá fora e aqui dentro, que não tenho se quer conseguido encontrar boas palavras para ordenar ao menos o caos interno, mas ainda assim sinto mais que nunca que preciso permanecer firme nos meus próprios pés. Então acho justo tentar algumas palavras, talvez não para tornar as coisas mais leves, porque em certos momentos isso tem me parecido impossível, a nível pessoal e coletivo. E sabe, às vezes não tem como esperar leveza mesmo, às vezes a única coisa que resolve é o enfrentamento. Este agora é um desses às vezes.

Se escrevo é numa tentativa de não me perder, creio que cada registro meu aqui é algo como migalhas de pão que vou deixando pelo caminho. Mas em tempos onde se ter uma opinião e uma rede social são os únicos requisitos para que tal opinião seja expressa, sem passar previamente por nenhuma espécie de filtro, sempre preferi me manter em silêncio sobre a maioria dos assuntos. Mesmo que às vezes a ideia de um ou outro post mais “polêmico” me passe pela cabeça, logo afasto tal ideia; pelo bem do meu sistema digestivo que reclama à menor ameaça de stress, mas também por nunca ter de fato me sentido como parte existente do mundo onde todos os problemas e assuntos estão se desenrolando.

Deixa ver se consigo explicar porque me parece algo bastante ruim dizer apenas que nada do que acontecia neste mundão me afetava; não é bem isso, mas também não deixa de ser, sendo muito pelo contrário. Sempre me senti de certa forma culpada por me preocupar com coisas que estavam acontecendo fora da redoma onde fui criada e de todo o excesso de proteção que em certos momentos me foram tão confortáveis.

Era como se fosse receber olhares de desaprovação se ousasse me manifestar sobre algum assunto maior do que o emaranhado de problemas do meu mundinho; já que não conseguia me entender se quer com esses problemas me achava pequena demais pra lidar com questões abrangentes. E muitas vezes a ideia de ter se quer um posicionamento diante do que tá acontecendo no mundo me parecia muita pretensão. É mais ou menos o extremo oposto de quem sai por aí dizendo tudo o que pensa só porque tem uma rede social, até eu perceber que ter opinião nenhuma é tão ruim quanto ter opinião demais.

De dentro da minha redoma eu julgava as minhas dores fruto de casos isolados também, casos de responsabilidade única e exclusiva minha. Assumia inteiramente a culpa por elas e me esquecia de perceber que tais dores viam de desajustes no coletivo, leia-se sociedade, e me culpar pessoalmente por elas era exatamente corresponder ao que tal sistema doente está esperando. O irônico é que nesse processo me tornei algoz de mim mesma, e algoz sendo vítima enquanto ainda era acusada de vitimismo e me via obrigada a calar sobre o que realmente me faz doer e aceitar que estava sofrendo por gosto de bancar a vítima do mundo; mundo esse gentil e justo, claro.

ver-ser-existir-estar-blog-queimei-meus-navios-felexões-leticia-almeida

Cheguei num ponto do meu processo de autoconhecimento onde começo a engatinhar pra fora da redoma da qual falei anteriormente. E não deve ser apenas coincidência que isso esteja acontecendo justo num momento onde parece que sacudiram o tapete onde se escondia por debaixo toda a sujeira do mundo; porque não creio que nada do que está acontecendo seja novo, não é, só estava sendo muito bem varrido para debaixo do tapete.

Uma das coisas que passei a perceber em certo ponto dessa minha jornada interna foi o quanto me sentia alheia ao mundo ao meu redor. Nunca senti pertencimento, seja em que nível for. É como se eu tivesse mergulhado tão fundo na minha introversão que já não havia ponte alguma me ligando de fato ao mundo exterior. Eu não existia fora de mim. Engatinhar para fora da minha redoma é como passar a existir de verdade num mundo real; e existir de verdade num mundo real tão fora de ordem que ninguém sabe mais onde pisar não é fácil, meu sistema digestivo realmente está tendo dificuldades de lidar com isso.

Estou aprendendo a pertencer e existir neste mundo entendendo e sentindo que a dor do outro também me toca e desperta em mim dores semelhantes; essas minhas, não do outro, mas tão parecidas com as dele que é impossível não compreender que só o pertencimento e a luta coletiva podem fazer algo, não para que essa dor pare de latejar a nível individual, mas para que ela não se perpetue e se repita ad infinitum reavivando as feridas individuas a cada novo golpe.

Não tá fácil existir, não tá mesmo, mas existir e resistir me parece melhor do que me perder sozinh em mim mesma.

Segue o eco, a imagem refletida do possível e esquecido: a possibilidade e necessidade de falar e escutar. Não o eco que se apaga paulatinamente ou a força que decresce depois de seu ponto mais alto. Sim o eco que rompe e continua. O eco do próprio pequeno, o local e particular, reverberando no eco do próprio grande, o intercontinental e galáctico. O eco que reconheça a existência do outro e não pisoteie ou intente a calar o outro. O eco que tome seu lugar e fale sua própria voz e fale a voz do outro. O eco que reproduza o próprio som e se abra ao som do outro. O eco desta voz rebelde transformando-se em outras vozes. Um eco que se converte em muitas vozes, numa rede de vozes que, frente à surdina do poder, opte por falar-se ela mesma sabendo-se uma e muitas, conhecendo-se igual em sua aspiração de escutar e fazer escutar, reconhecendo-se diferentemente nas tonalidades e níveis de vozes que a formam.

Crónicas Intergalácticas – Subcomandante Insurgente Marcos


Instagram ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Twitter ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Facebook ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Filmow ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Skoob ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Flickr 

Caminho de Volta – Die Woche #3

Creio que uma das coisas que mais falo neste blog é sobre o tempo passar, e nas entrelinhas sobre a minha dificuldade diante dele. O tempo, senhor tempo; ora vendo ele passar rápido demais, ora me arrastando pelos dias, tenho sempre na ponta da língua, ou dos dedos, palavras de inadequação chegando atrasadas em frágeis frases feitas ou sendo atropeladas na fala entre cortada por soluços.

Não posso especificar por qual razão criei o blog, assim como muitas outras coisas na minha vida, ou até mesmo a minha vida em si, não sei traduzir seu propósito. Arisco que tenha sido para tentar escapar da solidão, ou para expor sentimentos que preciso esconder; de qualquer forma quando penso no porquê de manter um blog chego sempre a uma espécie de paradoxo. Não devo me expor tanto, mas sinto, quase que diariamente, a necessidade de um lugar para contar das pequenas grandes coisas sobre mim, mesmo que seja pra ninguém.

E de me partir assim entre as incertezas medrosas do tempo, a exposição, a solidão, o isolamento, os gritos mudos e todas as minhas besteiras silenciadas me coloquei numa espécie de limiar, onde me vejo inteira quando junto todos os meus pedaços, mas ainda não me reconheço em nenhum espelho; e me percebo incapaz de decidir por qual caminho trilhar. E é aqui o momento em que se abre pra mim o velho conhecido caminho do meio, que no meu caso tem sido o caminho de volta.

illustration-by-bifing

Volto a escrever aqui depois de pouco mais de quatro meses. E quanta coisa desandou aqui dentro nesses últimos meses. Fiz planos que não engrenaram e tenho hoje como decisão mais consciente uma desistência. O que pode parecer algo bastante covarde, principalmente no meu caso que tenho uma coleção de projetos abandonados, mas não porque percebi que não era o momento deles acontecerem e sim por ter me deixado atropelar pelo tempo, minhas fraquezas e as dificuldades da vida. E desse jeito me colocando sempre como alguém quebrada perseguindo ilusões.

Muitas vezes pra continuar seguindo em frente, mesmo quando já não tinha força alguma para me mover, me deixei ser arrastada pela correnteza e fui sendo levando em direções que não havia planejado, mas que as opiniões externas me fizeram acreditar que estar naquele rumo seria melhor que me entregar a letargia. Um engano. E não pelo fato de se esconder debaixo da cama e se alhear ao mundo ser algo bom, definitivamente não é, mas por ter agora descoberto que me deixar levar pelas circunstâncias me forçando a me adaptar à situações desagradáveis só pela ilusão de me manter em movimento é tão ruim quanto.

A necessidade de traçar um caminho de volta vem de ter me percebido num lugar e não conseguir me dar conta de como fui parar nele, exatamente por ter me deixado levar por caminhos que não eram meus. E por ter feito isso pelo meu medo de estar perdendo tempo, o que me levou a me agarrar a tudo que parecesse uma oportunidade, quando na verdade estava me agarrando a um descaminho.

Fazer o caminho de volta não é retroceder. É, no meu caso, refazer o caminho que irá me levar de volta ao que sou de fato; ir buscar os fragmentos que fui deixando por onde passei, o que também não quer dizer revisitar lugares desagradáveis ou reviver dores passadas, e me fazer inteira outra vez para enfim seguir em frente. Ainda não sei o que significará seguir em frente, neste momento não me interessa saber; isso não significa estar desinteressada na vida, muito pelo contrário, pra mim é a percepção que me faz respeitar o tempo das coisas acontecerem e me conceder o tempo de cura sem querer controlar o que não está nas minhas mãos, mas olhando de verdade pra dentro e moldando o que está ao meu alcance: a mim mesma.

E assim se abre diante de mim o caminho do meio, com leveza, flexibilidade e possibilidades para serem testas; coisas novas que poderei experimentar sem a rigidez de ficar o pé numa decisão infrutífera ou a indiferença de me deixar arrastar pelas circunstâncias externas. E quero poder refletir isso aqui, em posts que falem de mim e desse meu processo, mas também falando de coisas mais leves, buscando através da escrita, que sempre me foi algo muito importante, um estilo de vida mais alinhado com minha essência, com aquilo que acredito e admiro.


Instagram ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Twitter ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Facebook ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Filmow ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Skoob ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Flickr 

Algumas Palavras Sobre 2015.

Estou a meia hora pensando na melhor forma de começar este post, e como não me ocorre nada melhor começarei falando do caos de sentimentos e pensamentos que me atropelam sempre que penso no ano que passou, e nesse ano que mal começou e já tá me derrubando. É a sensação de ter sido arrastada pela histeria coletiva de final de ano para um lugar cheio de possibilidades que não se mostram. Ainda estou tentando me firmar nas minhas recém tomadas velhas decisões, só agora começo a avistar alguma terra firme, porém ainda não a sinto sob meus pés, é fato que pra isso acontecer ainda vai levar tempo. E é preciso continuar remando, e manter este blog é uma das maneiras que encontrei pra de algum modo continuar remando.

montagem-1-2014-2015montagem-2-2015

Finais de ano são complicados pra mim e seus inícios são só uma ressaca das complicações do final. Mas não queria falar dessas complicações, de alguma forma queria falar do que o ano que passou deixou de bom. Talvez precise começar imediatamente a cumprir uma das resoluções de ano novo, que ainda teimo em fazer, e me forçar a reclamar menos e repetir menos o mesmo enredo de chorumelas e queixas.

montagem-3-2015 montagem-4-2015

Não tenho nenhuma grande conquista para atribuir à 2015, desisti de metas, abri mão de sonhos, desanimei de projetos, cometi inúmeros auto enganos e quando vi o ano tinha passado e não dava mais tempo.
E em falar de tempo, o ano passou rápido, muito rápido, me pergunto o que aconteceu pra que ele passasse mais rápido que todos os outros anos que já passaram. Talvez esse sensação seja só pelo excesso de horas que passei dormindo, ou dentro de um filme, um sonho, um livro ou um devaneio. Pouco sai de casa, até que um dia, meio a contra gosto e já me arrependendo de um convite que eu mesma fiz, resolvi sai. Acho que não aguentava mais respirar o ar viciado das realidades inventadas, e a realidade me sorriu, seu sorriso irônico como não poderia deixar de ser.

montagem-5-2015

Foi um ano que me trouxe pessoas especiais, pessoas que talvez nem desconfiem do quanto me ensinaram. Houveram momentos tão breves, simples e mágicos, desses que a gente sabe que mudam alguma coisinha lá dentro da gente. Houveram porres e momentos bens ruins que hoje consigo perceber que foram extremamente importantes para que eu experimentasse realmente minha força e descobrisse também com que tipo de pessoas quero dividir minha vida, quem quero chamar de amigo e que ás vezes é até mais preferível a solidão. Aprendi a respeitar minha solidão admitindo que não é sempre que quero estar sozinha, mas que não vou mais me ferir por qualquer companhia. Foi um ano que reabriu feridas, expões pra mim minhas maiores vulnerabilidades, me fez chorar muito, e me fez aprender que muitas vezes chorar é o único antídoto contra todo o veneno do mundo, aprendi que chorar é bom. Me vi obrigada a revisitar memórias e finalmente respeitá-las como parte da minha história. Posso dizer que terminei o ano muito mais completa, madura e forte apenas porque hoje me conheço melhor e não tenho mais medo de olhar pra pessoa que me tornei através dos anos admitindo cada passo, em falso ou não, como parte da minha, unicamente minha, caminhada.

montagem-6-2015 montagem-7-2015 montagem-8-2015

Houveram filmes que me marcaram e conversas que me apresentaram novos pontos de vista que hoje já fazem parte do meu próprio repertório. Houveram músicas que nunca havia escutado antes e hoje me tocam em cada nota memórias. E houveram livros não terminados que carregam lembranças escondidas entre suas folhas e versos rabiscados em seus versos.

montagem-9-2015

Amo palavras, sendo assim sinto que posso escolher algumas palavras para o ano que passou, e elas são: liberdade, solidão e amor. Para as duas primeiras 2015 trouxe na marra um novo significado que sei que ainda precisa ser digerido com muito cuidado e carinho neste novo ano.
O que posso dizer é que finalmente entendi um dos meus versos preferidos de uma das minhas músicas preferidas, quem pensa por si mesmo é livre, e ser livre é coisa muito séria. E sobre o amor, a maior conquista do ano, e talvez de todos os outros anos que passaram: 2015 me trouxe a capacidade de amar. E isso também é coisa muito séria.

montagem-10-2015

Lavei a alma com lágrima, retribui o sorriso irônico e não temo mais erguer a cabeça ao olhar pra frente.

Forte é a mulher que chora.
Por fim, se ressume aqui
o que o ano me ensinou.


Instagram ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Twitter ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Facebook ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Filmow ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Skoob ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Flickr 

Começar Um Novo Ano – Die Woche #2

Eu começo coisas que num primeiro momento me fazem ficar empolgada, mas logo depois abandono e aquela ideia que me pareceu maravilhosa lá no início se transforma num fantasma que todas as noites vem puxar meu pé.

Ótima forma de se começar um post, eu sei, falar das minhas frustrações e fantasmas sempre foi um dos principais motivos desse blog existir. Mas isso tem me cansado, e tem inclusive umas palavras sobre esse cansaço rabiscadas a lápis num caderno que tempos atrás teriam virado “texto” aqui no blog. Meu silêncio por aqui quer dizer apenas que cansei, mas não quer dizer que desisti, nesse caso, de manter um blog ativo, só cansei de repetir o mesmo enredo. Ando precisando de um descanso que nesse caso significa me reinventar, mas como é que a gente descansa da gente?!

image

Escrever um resumo da minha semana foi uma espécie de desafio que me propus lá pelo final do ano passado, parece que já faz tanto tempo… e aqui estou eu fazendo só agora o segundo post e pensando como é que eu sempre consigo transformar coisas simples em bichos de sete cabeças que devoram minhas melhores ideias.

É em meio a esses pensamentos que tenho me esforçado pra me manter na superfície e respirando. Nunca mergulho, voluntária ou involuntariamente, em água que dá pé e isso não é nenhuma novidade. Então no mais o que posso dizer é que sobrevivi a dezembro, e que no final das contas foi melhor do que imaginava. O melhor dezembro da minha vida?! Talvez seja exagero afirmar, mas, honrando meu titulo de Drama Queen do qual não abro mão, foi um mês daqueles.

Tem muitas coisas me tirando o sono que renderiam muitos e muitos parágrafos, mas ainda rola uma dificuldade de processar qualquer pensamento e isso tem a ver também com a histeria coletiva de início de ano que por mais que eu me esquive sempre me atinge de raspão. É difícil manter minha marcha lenta, que ultimamente tem sido vitalmente necessária para que eu não me atropele, quando o mundo parece exigir uma inevitável revolução que vira fumaça antes que alguém tenha conseguido virar a primeira folha do calendário. Tenho preferido me refugiar no silêncio que por sinal será convidado de honra dos próximos dias.

E é assim que por aqui começa mais um ano.


Instagram ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Twitter ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Facebook ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Filmow ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Skoob ancora-icone-blog-queimei-meus-navios Flickr