“Take These Broken Wings And Learn To Fly” – Die Woche #5

Durante muito tempo fui guiada pela falsa impressão de que enquanto o mundo ao meu redor girava, a minha vida havia estagnado num ponto onde absolutamente nada acontecia. Falsa impressão até certo ponto, porque muito pouco fiz com que acontecesse nesses últimos anos, mas tenho a certeza de que todos os longos caminhos internos que precorri me ensinaram muita coisa.

Uma mudança vem se desenhando lentamente. Hoje posso falar sobre uma nova tomada de consciência, posso dizer também que tenho muito mais tranquilidade e clareza. Mas nada disso afasta o medo que se torna cada vez maior a medida que se aproxima o momento de iniciar uma nova caminhada sem saber ao certo o que virá depois do primeiro passo. Mas isso talvez nunca se possa mesmo saber.

Durante todos os últimos quatro anos ensaie um reinício de vida onde estaria plenamente consciente e qualquer mudança de espaço físico viria de um planejamento, não de uma fuga, coisa que muitas vezes fiz. Acreditava e desejava que o mais importante seria conquistar uma independência que de fato nunca tive. O que realmente aconteceu foi perceber que além da independência não conquistada eu ainda me iludia acreditando possuir alguma autonomia.

Nesses últimos anos adoeci acreditando que precisava me manter isolada para me curar, e me afundei cada vez mais em mim. Não entendia porque todas as tentativas de me mover só geravam frustração e novas dores que imediatamente soma às antigas e me escondia e remoía; sem compreender que estava caminhando em areia movediça. Tudo parece realmente mais simples agora, tanto drama desnecessário, tanto medo, preguiça, desculpas, caprichos. Defeitos, que não valem a pena remoer. Dores que prolonguei demais e que agora ainda falho em lidar, mas aceito, nomeio, transformo, nenhum fardo se deve carregar por toda uma vida.

Koloman Moser
Koloman Moser

Confiar em minha intuição, ter paciência e coragem, mesmo quando sinto medo, são coisas que aprendo agora depois de ter me dado conta que quero viver, quero muito viver. E que a mudança que sempre desejei pra mim é possível, mesmo não sendo da forma como planejei, mesmo precisando lidar com percalços, negociar alguma autonomia dentro de uma situação onde não alcancei a independência que me é tão cara. E aceitar, e ser grata, pela ajuda que chega quando talvez eu não conseguisse sair sozinha do poço sem fundo que me enfiei. Aceitar depender por mais um tempo, mas aceitar isso como uma ajuda, uma possibilidade de curar tudo o que me impedia de ser livre em tantos sentidos.

Agora são poucas as coisas que de fato me entristecem. Mas são mais reais também, porque são minhas. Percebo em mim muitas coisas que não quero mais carregar, opiniões, formas de me expressar, mágoas que ainda arrasto, mortos que ainda não enterrei, um passado que depois de exaustivamente gritado em palavras mudas eu posso finalmente deixar para trás. E todos aqueles clichês sobre não repetir antigos comportamentos e ser alguém novo podem de fato acontecer. Eu acredito nisso.

Não sei como terminar, isto que escrevo agora é algo que continua, uma metamorfose discreta e lenta onde tento criar a leveza que desejo para viver digerindo o peso que me neguei por muito tempo a encarar; mas repetia exaustivamente numa ladainha ensaiada que ainda não deixei completamente de redizer. Mas fica aqui meu mais forte anseio de conseguir esticar asas inteiras ainda na próxima primavera.


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