Minha Lista de Clássicos Modernos do Cinema

Parece um tanto paradoxal falar em clássicos modernos? Sim, sim, deve ser, mas resolvi fazer a minha lista dos dez filmes mais marcantes a partir dos anos noventa até os dias atuais.

01. Pulp Fiction – Quentin Tarantino (1994)

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O primeiro desta minha lista foi um dos filmes mais marcantes da década de 90 e um fenômeno pop que não se restringiu ao cinema. Aqui a assinatura do Tarantino se tornou evidente com sua forma não linear de contar uma história, característica que já gerou muitas polêmicas. As três histórias principais são contadas de uma forma completamente não linear, sem um pano de fundo no tempo presente como base para a narrativa, e acabam se cruzando, tudo isso com muito humor sarcástico e violência. A genialidade está em todas as histórias serem muito bem amarradas mesmo com a cronologia delas completamente de ponta cabeça.

O roteiro é incrivelmente bem elaborado, não atoa deu aos roteiristas Quentin Tarantino e Roger Avary o Oscar de Melhor Roteiro Original em 1995. E mesmo se você nunca viu esse filme, provavelmente já deve ter se deparado com alguma referência a ele por aí.

02. Entrevista com o Vampiro – Neil Jordan (1994)

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Todo mundo já deve ter visto esse filme uma vez, nem que seja quando era criança e não se lembra mais da história. Se esse for o caso, recomendo que você assista agora! Lestat, Louis e Armand são os vampiros mais apaixonantes da vida, afinal, Tom Cruise, Brad Pitt e Antonio Bandeiras no mesmo filme não é pouca coisa.

O filme foi baseado em um romance de Anne Rice e o roteiro do longa foi escrito pela própria autora. Recebeu duas indicações para o Oscar de 1995 com Melhor Trilha Sonora e Melhor Direção de Arte, infelizmente não levou nenhum dos prêmios que foram conquistados pelos filmes O Rei Leão (Melhor Trilha) e As Loucuras do Rei George (Melhor Direção de Arte). Ainda assim considero o filme como um dos maiores clássicos dos anos noventa, junto com Pulp Fiction. E sem dúvida alguma um dos melhores filmes de vampiro de todos os tempos.

03. Fale Com Ela – Pedro Almodóvar (2002)

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Obviamente não poderia faltar um título do meu cineasta do coração que é o Pedro Almodóvar. Nesse filme, considerado pela crítica um dos melhores da carreira do cineasta, não se vê algumas das características mais marcantes, como as cores berrantes e personagens caricatos, porém a sensibilidade com a qual o Almodóvar aborda os temas ligados a afetividade humana está mais que nunca em destaque.

O roteiro, que gira em torno da relação de cuidado de dois homens com mulheres em estado de coma, foi vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original em 2003.  Além do foco nessa relação de cuidado o filme também aborda com muita delicadeza a relação entre os dois personagens centrais, Benigno e Marco. Outros detalhes, que não poderia deixar de citar e que contribuíram inquestionavelmente para situar esse filme entre os melhores dos últimos tempo, é a trilha sonora com músicas interpretadas pela Ellis Regina e Caetano Veloso, que inclusive aparece no longa. Além de um curta metragem mudo feito especialmente para compôr o filme.

04. Clube da Luta – David Fincher (1999)

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Segundo a sinopse, que revela muito pouco sobre a quantidade de simbologias contidas no filme, dois homens de personalidades diferentes acabam criando uma nova e controversa forma de terapia ao canalizar seus impulsos violentos em luta corporal, fundando assim um clube clandestino que possibilita que seus membros lutem entre si.

Sim, sem dúvida um filme um tanto polêmico, exatamente por esse motivo talvez se deva a baixa popularidade do filme na época que foi lançado recebendo apenas uma indicação ao Oscar de Melhor Edição de Som em 2000. Mas isso não foi motivo para algum tempo depois o filme se tornar sucesso em VHS e posteriormente em DVD, tanto que consta em primeiro lugar na lista dos 50 DVDs essenciais eleitos pela Entertainment Weekly. Além de ter sido eleito o décimo melhor filme de todos os tempos pela revista britânica Empire e ter o Tyler Durden eleito pela mesma revista como o melhor personagem do cinema de todos os tempos.

05. V de Vingança – James McTeigue (2005)

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Adaptado dos quadrinhos do Alan Moore, escrito e produzido pelas irmãs Wachowski, dupla que ficou conhecida pela trilogia Matrix, o filme foi dirigido pelo James McTeigue, que também foi assistente de direção em Matrix. Conquistou fãs principalmente pelo seu teor subversivo que foi mantido da história original de Moore, porém houveram algumas modificações que incomodaram alguns fãs dos quadrinhos e o próprio roteirista do graphic novel. No entanto, graças a uma dessas alterações, a personagem Evey ganha destaque na trama rendendo a Natalie Portman o prêmio Saturn Awards de melhor atriz em 2007.

A estréia James McTeigue como diretor não rendeu prêmios, além de ter sido alvo de uma boa quantidade de críticas negativas devido principalmente ao teor anarquista do filme. Porém ainda assim o longa teve uma boa aprovação no Rotten Tomatoes e conquistou vários fãs.

06. Corra, Lola, Corra – Tom Tykwer (1998)

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Mais um diretor que trabalhou posteriormente com as irmãs Wachowski. Não que aqui exista alguma referência ao trabalho dos idealizadores de Matrix, mas é possível identificar alguns pontos em comum, como a trilha sonora com um ar techno por exemplo.
Não se trata de um filme pesado, como se é comum pensar quando se fala em cinema alemão. A história que é recontada sequencialmente não o torna cansativo, muito pelo contrário, o ritmo do filme é exatamente como sugere o seu título.

Apesar de não se tratar de um filme premiado internacionalmente, o longa teve bastante prestígio, principalmente em seu país de origem sendo vencedor de vários prêmios de Cinema Alemão entre eles o de Melhor Diretor e Melhor Filme, além de ter se tornado uma referência dentro da cultura moderna do país. E também possuí uma ótima aprovação de 93% do Rotten Tomatoes.

07. O Labirinto do Fauno – Guillermo del Toro (2006)

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Fantasia e realidade se misturam com um pano de fundo histórico, a guerra civil espanhola. O diretor mexicano consegue imprimir sua marca mais uma vez, correlacionando seres fantásticos com vilões de carne e osso numa trama em que a personagem principal é uma garota órfã de pai que acaba se aventurando um um mundo mítico na busca de fugir de uma realidade cruel, a ditadura fascista, representada no filme pelo padastro da garota.

Se trata de uma fantasia mais sombria com toques surrealistas que agradou o público, inclusive um público que foge um pouco do gênero preferido do diretor que é o terror. Com uma aprovação de 95% no Rotten Tomatoes o longa, prestes a completar dez anos de seu lançamento, continua atual e muito bem comentado não só quando o assunto é diretores estrangeiros que fazem sucesso em Hollywood.

Vencedor do Oscar 2007 em três categorias, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Maquiagem, o filme também foi premiado com o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro no mesmo ano. Como também recebeu vários outros prêmios do cinema mundial, além de indicações entre elas à Palma de Ouro de melhor filme do Festival de Cannes em 2006.

08. Donnie Darko – Richard Kelly (2001)

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Um clássico cult, perfeitamente inserido na cultura Pop, o maior sucesso do diretor norte americano rendeu a ele a premiação de melhor filme de estréia em 2002 no Independent Spirit Awards. Mas também esse foi mais um daqueles filmes que só fizeram sucesso um tempo depois de seu lançamento.

Com uma atmosfera bem anos 80, coisa que eu particularmente amo, o filme acompanha os questionamentos de uma jovem esquizofrênico que tem alucinações com um coelho gigante monstruoso. Permeando isso ainda temos questionamentos políticos envolvendo sistema de educação, além de um prato cheio para quem gosta de ficção cientifica das boas. É um daqueles filmes que quando termina te deixa cheio de perguntas, talvez exatamente por isso tenha se tornado tão adorado pelos fãs de filmes Sci-Fi, que não economizam em teorias para tentar explicar o filme.

09. O Fabuloso Destino de Amelie Poulain – Jean-Pierre Jeunet (2001)

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Com uma atmosfera leve e romântica, mas sem deixar de ser cheio de simbolismos, o diretor francês fugiu do tom sombrio usando em filmes anteriores, como O Ladrão de Sonhos e Delicatessen, e agradou muito o grande público, inclusive àqueles que não estão muito habituados ao cinema francês. Com um nível de aprovação no Rotten Tomatoes mais alto que os outros filmes citados o longa recebeu várias indicações ao Oscar de 2002, entre elas o de melhor filme estrangeiro e melhor fotografia, infelizmente não levou nenhum dos prêmios, mas se tornou referência dentro da cultura pop.

A história da garçonete, que procura com pequenos gestos tonar mais feliz a vida das pessoas com as quais interage enquanto busca um grande amor, também costa na lista de melhores filmes de todos os tempos eleitos pela revista Empire.

10. Medianeras – Gustavo Taretto (2011)

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Outro filme com uma atmosfera bastante romântica, porém nem um pouco parecida com os clichês do gênero. Abordando temas muito atuais, como o distanciamento que passa a existir quando os contatos se tornam cada vez mais virtuais, o filme passeia pela arquitetura da cidade de Buenos Aires. É a rotina de uma grande cidade em que cada um está tão perdido e isolado em si mesmo que os encontros reais passam a ser quase tão difíceis quanto encontrar o Wally escondido na multidão. Um filme recheado de simbologias para a nossa vida moderna cada vez mais virtual a medida que todas as nossas relações passam a se basear em contatos virtuais e efêmeros, e em como essa suposta falta de contato real vai nos tornando cada vez mais medrosos e ainda mais isolados.

O longa surgiu a partir de um curta e foi premiado apenas no Festival de Gramado (2011) como Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Diretor.


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