Caminho de Volta – Die Woche #3

Creio que uma das coisas que mais falo neste blog é sobre o tempo passar, e nas entrelinhas sobre a minha dificuldade diante dele. O tempo, senhor tempo; ora vendo ele passar rápido demais, ora me arrastando pelos dias, tenho sempre na ponta da língua, ou dos dedos, palavras de inadequação chegando atrasadas em frágeis frases feitas ou sendo atropeladas na fala entre cortada por soluços.

Não posso especificar por qual razão criei o blog, assim como muitas outras coisas na minha vida, ou até mesmo a minha vida em si, não sei traduzir seu propósito. Arisco que tenha sido para tentar escapar da solidão, ou para expor sentimentos que preciso esconder; de qualquer forma quando penso no porquê de manter um blog chego sempre a uma espécie de paradoxo. Não devo me expor tanto, mas sinto, quase que diariamente, a necessidade de um lugar para contar das pequenas grandes coisas sobre mim, mesmo que seja pra ninguém.

E de me partir assim entre as incertezas medrosas do tempo, a exposição, a solidão, o isolamento, os gritos mudos e todas as minhas besteiras silenciadas me coloquei numa espécie de limiar, onde me vejo inteira quando junto todos os meus pedaços, mas ainda não me reconheço em nenhum espelho; e me percebo incapaz de decidir por qual caminho trilhar. E é aqui o momento em que se abre pra mim o velho conhecido caminho do meio, que no meu caso tem sido o caminho de volta.

illustration-by-bifing

Volto a escrever aqui depois de pouco mais de quatro meses. E quanta coisa desandou aqui dentro nesses últimos meses. Fiz planos que não engrenaram e tenho hoje como decisão mais consciente uma desistência. O que pode parecer algo bastante covarde, principalmente no meu caso que tenho uma coleção de projetos abandonados, mas não porque percebi que não era o momento deles acontecerem e sim por ter me deixado atropelar pelo tempo, minhas fraquezas e as dificuldades da vida. E desse jeito me colocando sempre como alguém quebrada perseguindo ilusões.

Muitas vezes pra continuar seguindo em frente, mesmo quando já não tinha força alguma para me mover, me deixei ser arrastada pela correnteza e fui sendo levando em direções que não havia planejado, mas que as opiniões externas me fizeram acreditar que estar naquele rumo seria melhor que me entregar a letargia. Um engano. E não pelo fato de se esconder debaixo da cama e se alhear ao mundo ser algo bom, definitivamente não é, mas por ter agora descoberto que me deixar levar pelas circunstâncias me forçando a me adaptar à situações desagradáveis só pela ilusão de me manter em movimento é tão ruim quanto.

A necessidade de traçar um caminho de volta vem de ter me percebido num lugar e não conseguir me dar conta de como fui parar nele, exatamente por ter me deixado levar por caminhos que não eram meus. E por ter feito isso pelo meu medo de estar perdendo tempo, o que me levou a me agarrar a tudo que parecesse uma oportunidade, quando na verdade estava me agarrando a um descaminho.

Fazer o caminho de volta não é retroceder. É, no meu caso, refazer o caminho que irá me levar de volta ao que sou de fato; ir buscar os fragmentos que fui deixando por onde passei, o que também não quer dizer revisitar lugares desagradáveis ou reviver dores passadas, e me fazer inteira outra vez para enfim seguir em frente. Ainda não sei o que significará seguir em frente, neste momento não me interessa saber; isso não significa estar desinteressada na vida, muito pelo contrário, pra mim é a percepção que me faz respeitar o tempo das coisas acontecerem e me conceder o tempo de cura sem querer controlar o que não está nas minhas mãos, mas olhando de verdade pra dentro e moldando o que está ao meu alcance: a mim mesma.

E assim se abre diante de mim o caminho do meio, com leveza, flexibilidade e possibilidades para serem testas; coisas novas que poderei experimentar sem a rigidez de ficar o pé numa decisão infrutífera ou a indiferença de me deixar arrastar pelas circunstâncias externas. E quero poder refletir isso aqui, em posts que falem de mim e desse meu processo, mas também falando de coisas mais leves, buscando através da escrita, que sempre me foi algo muito importante, um estilo de vida mais alinhado com minha essência, com aquilo que acredito e admiro.


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