Tief in das endlosen Meer

Tenho me permitido muitos questionamentos nos últimos tempos, coisas que antes eu se quer me dava ao luxo de pensar sobre, eu achava que precisa resolver primeiro algumas coisas bem complicadas que carrego internamente. Os questionamentos aos quais me refiro têm a ver com estilo de vida, escolhas que dizem respeito à alimentação, o espaço que quero dedicar na minha vida para cultivar simplesmente as coisas que me fazem bem e as amizades. As coisas bem complicadas das quais falei fizeram com que eu me trancasse em mim mesma durante muito tempo, era quase como me sentir como alguém incapaz de viver, eu me enterrei viva nas minhas mágoas e nos meus medos.

Ter hoje essa clareza é uma benção ambígua, pois ao mesmo tempo que me tira de um poço escuro, me obriga a caminhar no território hostil da realidade. É preciso ordenar a vida, enfrentar os medo, curar as mágoas; mas é preciso também viver.

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Imagem: Eugenio Cuttica

Os últimos dias têm sindo estranhos, complicados, quentes demais. Mal tenho conseguido dormir, mal tenho conseguido comer, tenho sentido meu corpo fraco e muitas vezes a sensação de sufocamento é quase insuportável. Mas tenho conseguido ordenar devagarzinho as coisas que há muito me incomodam, coisas que acreditei que iria ter que arrastar em segredo durante toda a vida que ainda me resta viver. Aos poucos, e ainda de um jeito meio torto, tenho começado a colocar essas dores no mundo, a falar sobre elas mesmo que nas estrelinhas. Tenho admitido pra mim mesma minhas dores, e essa é ainda a parte mais importante desse processo pra mim.

Tenho oscilado entre a agressividade e a tristeza. Tenho pensado muito sobre a pessoa que quero me tornar, sobre os obstáculos internos que preciso vencer para me tornar esse alguém, e sobre as possibilidades que tenho no mundo real para poder de fato existir. Tenho tomado decisões e tenho tentado vivenciar a dor como um processo de fortalecimento. Tenho tentado olhar com respeito cada sentimento e lembrança que se liberta do baú que finalmente abri depois de por tanto tempo ter negado.

Mas tem dias que tudo isso são só palavras bonitas pra um texto.

Porque mesmo que hoje haja uma clareza nas ideias que jamais me foi possível antes, ainda não encontro forças pra construir o que quer que seja no mundo real. Essa percepção é como uma âncora de chumbo que me arrasta pra o fundo do mar onde os sons são distantes e distorcidos, onde existe uma calmaria gelada e perigosa, e onde em momentos como agora me parece ser o melhor lugar pra se estar.

“Das Meer war tief, das Meer war wild, das Meer war endlos. Es gab noch kein Leben in diesem Meer, dessen Wasser von gewaltigen Stürmen gepeitscht wurde. Seine Wellen türmten sich, als wollten sie die Sterne von Firmament greifen und mit sich in die Tiefe reissen.”


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