Entremeios – Die Woche #1

entremeio
substantivo masculino

01. o que está de permeio; intermédio.
02. espaço, coisa, tempo etc. que se encontra entre dois pontos, dois extremos, dois limites; intervalo.

Tenho pensado na rotina que vem se moldado nas últimas semanas e isso tem me deixado meio triste. Há menos de três meses havia um ânimo tão diferente por aqui, novas ideias, novos planos, novas certezas, um turbilhão de sentimentos.

Pensando de verdade em tudo isso não consigo entender de início de onde vem a tristeza,  já que, mesmo que aos trancos e barrancos, venho colocando as ideias em curso, os planos seguem firmes e são as novas certezas que têm me guiado. Quando falo em certezas não quero dizer que ainda não ande cheia de dúvidas, mas é através dessas dúvidas que vou construído novos degraus. E não, o desânimo do qual eu falo não tem nada a ver com não ver sentido nas coisas que tenho acreditado e trabalhado. Não é nada disso, é só que entre a ideia e o concreto existe todo um caminho onde diariamente a fé naquilo que se desejou precisa ser renovada.

E renovar diariamente essa fé tem a ver com saber continuar. Eu nunca aprendi a continuar, a respeitar o tempo que as coisas precisam para tomarem forma depois do rompante inicial de se lançar em um novo ideal. Não aprendi a lidar com os sentimentos brandos que habitam os espaços entre o plantio e a colheita. A manter firme o desejo de ver frutificar uma ideia mesmo sabendo que muitas vezes isso pode levar anos. E assim foram muitos erros, oportunidades desperdiçadas e hoje um quase desespero em me ver a essa altura com nada de concreto nas mãos.

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Às vezes fico a espreita de alguma epifania que me salve do tédio dos dias que se seguem e repetem-se. Noite passada, exausta na insônia, percebi que sinto falta do turbilhão de sentimentos acotovelando-se e sobrepondo-se. Depois do terremoto que fez ruir meu edifício interno veio a dor pungente de quem chora sobre escombros. E depois de dançar com a dor de ver todas as minhas memórias, que tanto quis enterrar, despedaças e expostas para mim mesma me desafiando a olhá-las sem ter mais onde me esconder; depois de sentar com a dor para longas conversas que vararam madrugadas e berros, depois de conhecê-la bem, ela cedeu lugar à calmaria que sucede um maremoto. Calmaria que traz a certeza e a força para se reconstruir, esse o milagre depois das mil lágrimas.

Depois de me aninhar na nascente morna das lágrimas que pareciam nunca ter fim, mas que regaram a semente de um novo eu mais forte, sinto uma dificuldade enorme de caminhar no solo árido da realidade. Não que não tenho chorado, e são as lágrimas pesadas que derramo quase sempre aos domingos que purificam e amolecem um pouco esse chão, é como alguém que não se cansa de regar uma terra escura com a certeza de que uma hora algo vá florir. E é assim que tenho aprendido aos pouquinhos a continuar.

Hoje, depois de ter olhado sem medo para os meus traumas, dores e aflições, tenho um coração mais leve onde posso cultivar sentimentos bons, a clareza que me faltava para aceitar a brandura de sentimentos que se fazem necessários nos entremeios. Mas cultivar o que quer que seja dá trabalho, exige disciplina e um bocado de paciência, você precisa contornar adversidades só mantendo a esperança que algo que ainda mal brotou vá florir, e ainda assim você espera por frutos que só chegaram numa próxima primavera.

E é esse meu desafio hoje, viver nesses espaços de espera ativa. Não perder de vista o objetivo final, cultivar sentimentos que vez ou outra fazem doer, mas alimentam. Ter a paciência, a disciplina e a coragem de regar diariamente o mesmo pedaço de chão e acreditar na força dos frutos mesmo quando tudo o que se tem é um punhado de terra preta sob os pés. Aquecer em fogo brando os sonhos, e não desistir como quem desenha, munido de lápis e borracha, num papel, mas continuar sabendo que é em linho puro que se borda a vida.


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