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E prestes ao sol se pôr você percebe um nó na garganta que esteve ali por toda a tarde, ou talvez já a dias, mas você anestesiada não notou. A necessidade de pôr as coisas no lugar e seguir forte. Mas você não está onde você tenta manter essa falsa ordem, você não está em lugar algum. E você já não entende muito bem essa necessidade auto imposta de seguir forte quando você não vê pra onde seguir. Mais uma vez um novo beco sem saída.

Nem os mesmos erros você repete, você aprendeu algo. Mas aquela necessidade da auto mutilação ainda te persegue, talvez ela de alguma forma desfizesse esse nó. Mas você não se corta, nem se rasga, nenhum gosto amargo, nenhum grito ou se quer uma palavra um pouco mais ácida. Só esse silêncio distante, essa falsa calmaria. Você sabe muito bem que a qualquer momento esse seu mar pode virar, mas você já até duvida daquele seu taleto inato de transformar qualquer brisa em tormenta.

Você não se reconhece, nem na sua força, nem na sua fraqueza. E você tem a sensação de andar em círculos, mesmo que os sacos de lixo na varanda desmintam de uma certa forma isso. Você já tirou todas as lembranças que não ousava vestir do armário, e rasgou todas as ilusões que durante anos cuidou com tanto zelo, tudo virou lixo, mas o pouco que restou de seu não te prende. E pouco importa se amanhã vai ser um dia bom ou se você vai se jogar da décimo terceiro andar. Mas isso, esse nó, vai além de simplesmente deixar de existir, ele te obriga a continuar existindo e querendo existir mesmo que seja só pra doer.

Você conhece seus altos e baixos e você se entrega a maré. Você ainda não sabe o que virá depois dessa tarde poeirenta com gosto de presente, mas também adocicada de futuro e amarga de passado. Você não sabe o que te espera nas próximas esquinas, mas você dá meia volta, sai desse beco sem saída, observa o movimento e reconhece sua necessidade de se perder em novas ruas. Não é assim tão fácil quebrar um coração que já conheceu tantos precipícios. Você não tem a menor ideia do que virá, mas esse seu coração remendado insisti em pagar pra ver.

O sol quase já se pôs, o nó persisti, mas os pensamentos aos poucos se desanuviam. Uma noite fresca e solitária de te espera, um sorriso irônico reflete um último raio morno de sol no espelho.


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