Sonhos verdadeiros, metas, medos e crises: um breve apanhado sobre como aprendi a continuar.

Antigamente eu acreditava que só um recomeço cheio de mudanças radicais seria a solução para conseguir superar uma crise depressiva. Foi uma época em que desistia de tudo muito fácil, nunca terminava o que começava, me deixava derrubar a cada rajada de vento e ao invés de me levantar e continuar andando, acreditava que precisa mudar drasticamente a rota. Com o tempo, e o pouco de amadurecimento que consegui adquirir nesses anos, fui percebendo que assim eu nunca iria construir nada na vida. Me dei conta, primeiro instintivamente e só agora conscientemente de fato, que precisa aprender a continuar depois das crises. O fato é que antes, e ainda em alguns momentos atualmente, me parecia menos complicado recomeçar do zero.

Recomeçar do zero significa não ter que encarar, e corrigir, os erros que foram cometidos durante o momento de fraqueza ou de crise. Mudar de rota e simplesmente deixar os erros pra trás parece o caminho mais fácil quando estamos fragilizados demais para lidar com nossas falhas e com tudo o que é preciso ser feito e melhorado para atingir a meta que tínhamos. Nesse ponto a tal meta já deixou de ser atraente, só enxergamos um vulto distante daquilo que estávamos tentando alcançar e nos sentimos culpados por já termos perdido todas as oportunidades de trazer ela pra perto. É mais fácil sonhar outro sonho do que lidar com as dificuldades para realizar o sonho antigo.

O problema é que depois de um tempo o ciclo se repete, fugimos dos problemas outra vez desistindo do que há bem pouco tempo parecia ser o que daria um novo sentido à nossa vida. Precisamos, outra vez, de algo novo que devolva nossa esperança e vontade de continuar. Inventamos um outro sonho e não amadurecemos, não aprendemos a lidar com nossos problemas. Pelo contrário, fugimos deles feito uma criança assuntada a cada nova crise e quando a crise acaba ainda estamos muito assustados para voltar a encarar o mostro que nos derrubou, decidimos passar a vida inteira fugindo dele.

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O que acontece é que quando menos esperamos esbarramos com esse mostro numa esquina, às vezes ele se disfarça de um sonho não realizado e depois que nos encontra novamente não mede esforço em nos perseguir em cada novo caminho que tentamos trilhar para fugir dele. É quando percebemos que só tem um jeito, e o jeito é retomar aquele sonho antigo, aquele que tínhamos certeza ser o que faria a nossa vida ter algum sentido.

Nos enchemos de coragem e boa vontade, começamos a fazer tudo aquilo que não fizemos lá atrás para resolver nossos problemas. Chegamos até a sentir orgulho de nós mesmos e não damos ouvidos quando dizem que já estamos velhos demais para tal coisa, ou que não valorizamos as oportunidades que tivemos lá atrás e que agora definitivamente é tarde demais. Isso nos enche de força, começamos a acreditar que nada irá nos abalar, que nunca mais beijaremos a lona outra vez, que de agora em diante iniciaremos uma escalada, sempre para o alto e avante.

Bem… não é bem isso que acontece. Pela deusa, você se pergunta, como eu fui me deixar abater por algo tão bobo? Você tá na lona outra vez e começa a querer se encolher ali, a verdade é que uma hora é isso mesmo que você acaba fazendo, se aninhando no fundo do poço. Você repensa toda aquela coisa de encarar os seus problemas como um adulto, se amaldiçoa por ter se prometido não fugir feito uma criança assustada outra vez. Aí é que aprendemos que é preciso continuar, porque as rajadas de vento vão continuar nos derrubando, mas não podemos mais perder de vista a nossa meta. Você resolve, meio a contra gosto talvez, se levantar e continuar.

O que vem na continuação é muito trabalho pra arrumar toda a bagunça que se acumulou. E não adianta varrer nada para debaixo do tapete, já sabemos que mais hora menos hora a sujeira sai toda de lá e isso significa mais uma crise. É preciso paciência também, muita paciência, temos que lidar novamente com todas aquelas coisas que evitamos e fugimos durante a crise e não vai dar pra resolver tudo de uma só vez. A paciência é crucial para saber dosar o quanto de energia podemos empenhar em cada tarefa de cada vez, se não, ficamos esgotados e o resultado já conhecemos bem.

Você sente uma pontada de pavor quando ouve de alguém aqueles velhos comentários de que essa luta não é pra você, você não vai cansar de ir a nocaute e continuar lutando feito um bobo, afinal? Você aprende a tirar daí o estimulo para continuar lutando. Você aprendeu a olhar seus problemas de frente, e sim, eles são realmente assustadores, mas depois de um tempo os observando bem você percebe que eles nem são tão grandes assim, e você fixa como objeto saltar por cima deles, como quem salta um obstáculo para chegar onde deseja estar. Voilà, você acaba de aprender que problemas não são monstros, apenas obstáculos e você precisa saltá-los um após o outro para continuar.

No final das contas você percebe que os problemas continuarão surgindo feito monstros a sua frente. Você se depara com problemas completamente novos, você cai e quando levanta em frangalhos tem vontade de mudar de rota e sair correndo na direção oposta outra vez, você tem vontade de desistir de tudo e ir sonhar um sonho mais fácil. Mas você já chegou até aqui e já sabe também que sonhos não são muito chegados nessa história de serem fáceis, o jeito é continuar continuando.


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