Ressaca de uma prosa sem poesia

Não dormi em mim, acordei distante. Acordei sem compreender o que sentia, ou se se quer sentia. Apenas uma data, um número a mais. Mas o silêncio e a inquietação das palavras que não vinham não tinham nada que ver com a data impressa na certidão de nascimento.

As palavras e os sentimentos aqui dentro escondidos, paralisando os dedos, se recusando a sair salgados pelos olhos, ácidas pela boca. A música alta e eu implorando a cada palavra das canções um alento a esse não sentir.

Mas as palavras chegaram. Bem aos pouquinhos e estranhamente calmas. Chegaram no pôr do sol, e sem alarde. Chegaram e acabaram turvas na folha de papel molhada dos sentimentos que transbordaram pelos olhos. Sentimentos confusos e turbulentos feito tempestade em um mar de verão.

Acordei sentindo ainda um gosto amargo dos beijos adiados. Sentindo ainda o chão sob pés rodar. Não tentei me firmar, mas também não caí. Depois de esvaziadas as palavras, depois de secos os sentimentos, me achei exatamente onde deveria estar. Exatamente onde não gostaria de estar. Não me preocupei em entender ou resolver as marcas de prazer e de dor que de tão recentes ainda doíam.

Hoje eu acordei sem medo, sem devaneio, e sem poesia.


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