Crochê: O paninho da crise existencial

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Uma das coisas que o artesanato de uma forma geral me ensina é a respeitar o tempo que as coisas precisam para ficarem prontas. Sou extremante imediatista, acho que esse é um dos principais problemas da nossa geração. Quando começo algo já quero ver logo o resultado e muitas vezes acabo desprezando o processo.
Mas com o artesanato isso não funciona. É preciso respeitar tosas as etapas, caso contrário, o resultado só pode ser frustração. E o crochê é um grande exemplo disso.

Sempre vi minha avó e tia fazerem crochê e acabei aprendendo o básico com elas. Também tive um pouco de crochê nas aulas de artesanato da escola mais tarde.
Quando me deparei com esse canal, resolvi que seria um bom desafio me aventurar a fazer uma das toalhinhas que sempre vi minha avó fazer. Na verdade as toalhas que minha avó fazia eram enormes e sempre estavam presentes na mesa da família.

Pensei que aprender todos aqueles pontos não seria nenhum mistério. Mas a surpresa foi que o desafio acabou sendo um pouquinho maior do que imaginava, tive que desafiar minha impaciência.

Conforme progredia, e retrocedia, nos pontos da toalhinha, fui vendo ali um paralelo as lições que fui aprendendo na vida.
Enquanto meu imediatismo queria ter logo o resultado final nas mãos, fui percebendo que não adiantava ignorar aquele errinho cometido lá no início, e avançar assim mesmo. Aquele errinho interfere no resultado lá na frente, e aí é preciso desmanchar e fazer tudo outra vez.
Tá, na vida não dá simplesmente para voltar o tempo e corrigir os erros. Mas é bem verdade que os erros cometidos lá atrás interferem no que acontece posteriormente. Assim é no crochê, assim é na vida.

E se ignoramos esses erros no momento que eles são cometidos ou assim que percebemos, isso acaba atrasando todo o processo. Uma hora vamos ter que afinal lidar com ele, ou com suas consequências.
Então pre evitar que um erro passe batido, e aqui tô falando do crochê, é preciso fazer uma parada de vez em quando e avaliar se tá tudo certo mesmo, se, a toalhinha no caso, está ficando com o formato desejado. Caso não esteja é preciso identificar o erro e corrigi-lo imediatamente.
Na vida também é preciso fazer uma pausa vez ou outra pra avaliar se está mesmo tudo onde deve estar. Para ver se a vida está tomando o rumo desejado, e, caso não esteja, identificar onde estamos errando e buscar uma forma de corrigir isso.

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O processo de fazer essa toalhinha acabou se tornando um verdadeiro processo de reavaliar minha vida, o que acabou descambando para uma crise existencial quando me dei conta da quantidade de erros que fui ignorando e como eles volta e meia reaparecem ou refletem nas minha atitudes atuais, atitudes de auto boicote.

Com a toalhinha terminada tive a clareza de que é mesmo importante desmanchar tudo para corrigir aquele errinho, e refazer tudo outra vez. Isso atrasa o processo? Talvez. Mas é melhor ter ao final algo bem feito, por mais que isso demore um pouco, do que terminar logo e ao final só ter frustração com algo mal feito.

Como posso trazer isso para vida? Tem um trecho de uma crônica da Bruna Vieira que sintetiza perfeitamente isso:

– Onde você guardou o amor?
– Acho que deixei no caminho.
– Então volte.
– E se eu me perder?
– Você não iria muito longe sem ele.

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E o paninho fica aqui, guardado com carinho me lembrando que é importante sentir orgulho das minhas conquistas. E, principalmente, me lembrando que é preciso ter paciência, coragem e persistência para desmanchar e refazer tudo outra vez quantas vezes isso for necessário até conseguir o que se quer. Tenho pra mim que as maiores conquistas vêm dessa forma.

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Assim é no crochê, assim é na vida.


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2 comentários sobre “Crochê: O paninho da crise existencial

  1. Meu sonho fazer um de crochê decente, rs, esse lance de ter que desmanchar e refazer às vezes chega a dar uma aflição. Realmente é um exercício de paciência e lendo o seu texto me lembrei que tenho pelo menos uma peça inacaba aqui pra terminar.
    Curti essa analogia que vc fez, passar por cima dos errinhos como se eles não existissem não ajuda em nada e depois eles ficam ali gritando na nossa cara, não dá pra ignorar. A questão é ficar atento aos pontos do crochê e da vida principalmente.
    Bjs

    1. Exatamente, Suelene! Passei mesmo muita aflição com esse paninho, abandonei várias vezes, mas a sensação de saber que tenho algo inacabado não me dava sossego e depois de muito custo terminei a toalhinha. Bjs!

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