Estações indefinidas

O que aconteceu?
Que vento passou por aqui e emaranhou os fios com os quais eu estava tecendo a trama de um futuro bom?
A solidão medonha agora senta no batente da janela. Me espreita. Me observa dormir.
Pinta meus sonhos de um marrom desbotado.
As flores ainda estão por ai.
Aqui, ali, sem perfume.
Só seu colorido irritante contrastando com esse marrom.
Que se expande a partir do meu peito e vai tomando conta de tudo ao redor.
De pouco em pouco.
A solidão medonha vai chegando mais perto.
Talvez já esteja debaixo da cama. Ou dentro do armário.
Escondida nas recordações que não ouso vestir.
Talvez seja por culpa dela, dessa solidão forasteira, que a noite sinto o ar dentro do quarto pesado demais.
Arasto meus pés em meio a escuridão.
Ouço barulhos outonais no trajeto até a sala.
Como folhas secas se partindo sob meus pés.
Por vezes nem o gato que dorme manso no sofá se dá conta da minha presença ali.
Me pergunto quando foi que a solidão deixou de ser o fantasma dessa história.
Quando foi que eu assumi os ares fastasmagórios por aqui.
A única conclusão a que chego é de que não sou um desses fantasmas horripilantes.
Apenas um desses, que preferem não ter por perto. Que preferem ignorar a presença fria.
Meu hálito gelado.
Minha mãos trêmulas há muito não tecem prazer algum.

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