Just let it go

Estamos caminhando para o final de uma noite de domingo, o que se pode esperar de um texto que começa assim?

Estou ouvindo uma playlist com músicas que não conhecia, desfrutando do máximo de privacidade que me é possível. Pensando em toda a minha vida e sentindo todos os sentimentos possíveis se contorcerem brigando por espaço nesse amontoado de quinquilharias que é meu coração. Isso me faz lembrar da quantidade de coisas inúteis que ainda trago comigo todo o tempo numa mala que ás vezes fica bem difícil de carregar.

Sempre fico pensativa aos domingos, como se isso não fosse assim em todos os outros dias. Mas nunca mais tinha sentido essa necessidade de enfileirar todos esses pensamentos confusos, assim, uma palavra atrás da outra. E deixá-los aqui na esperança boba de que exista alguém que também partilhe das mesmas inquietações e manias esquisitas.

Aos poucos vou percebendo que o que faz meus pensamentos correrem sem freio e os sentimentos entrarem em ebulição dentro de mim, a ponto de eu ter que vomitá-los pra aliviar a queimação na boca do estômago, é a certeza doce, porém difícil de digerir, de que mais uma fase se findou.

Não sou boa em lidar com finais, mesmo que felizes. Aliás, essa história de final feliz nunca me convenceu. Finais sempre doem, mesmo quando se termina bem. É a vida nos esfregando na cara que nada é eterno, e essa eu creio ser uma das maiores dificuldades dos humanos, aceitar a finitude e a inconstância das coisas.

E chegando nesse ponto acho bom avisar que esse texto trata unicamente de subjetividades.

E o final feliz desse capítulo acontece com mais uma pequena morte da criança frágil e birrenta que reina nesse coração barulhento. O final feliz é a vitória de mais uma batalha travada pela moça que achava precisar reinventar sua vida a cada mudança de estação. Uma batalha travada contra a criança birrenta que agora chora baixinho vendo seu reino de confusões declinar. O que acontece é que essa criança é um pedaço seu…

…um pedaço meu que por escolha própria tive de matar de fome. Isso dói, ao mesmo tempo que é maravilho olhar ao redor e perceber que quem agora manda no jogo é a mulher que não sente mais medo de expôr ao mundo suas escolhas.

O domingo tá quase terminando, continuo ouvindo a mesma playlist, não reconheci nenhuma música até agora, mas a voz masculina nessa faixa que ouço nesse momento me agrada bastante. Vou aproveitar esse final de domingo desfrutando do supra sumo da maturidade. Vou fazer a janta só pra um, comer sozinha e ter que lavar toda a louça depois.

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