Organizando fotos (e paranoias) antigas.

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Definitivamente, se eu pudesse ter um super poder, esse seria o de voltar no tempo. Se por um lado sou uma velha resmungona que acha que sempre deixa pra trás questões mal resolvidas, por outro sofro de síndrome de Peter Pan. O negócio é que vira e mexe me pego tentando reviver algum passado, ou pra tentar consertar alguma burrada, ou tentando ressuscitar sentimentos.

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O que acontece é que o passado ao invés de ter se tornado apenas memórias, acabou virando um fardo. Um excesso de bagagem que andava arrastando por aí, até perceber que talvez apenas isso seja o que me impede de tentar voos mais altos.

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Nisso resolvi mexer numas fotos antigas que estavam em alguns CDS empoeirados, como se revendo cada uma delas e organizando-as pudesse também rever minha vida. Abandonar essa ideia boba de que tenho que corrigir todos os meus erros de alguma forma para ter direito a minha vida. Antigamente essa ideia fazia muito sentido pra mim, hoje (por experiência) percebo que a única coisa que consegui pensando assim foi parecer um cachorro perseguindo o próprio rabo.

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Revendo cada foto fui percebendo como era inconstante com relação aos meus cortes de cabelo. Sempre fui bastante inconstante, pra dizer a verdade, mas de uns tempos pra cá isso mudou e me encontro num momento onde preciso urgentemente de alguma mudança significativa, não (apenas) com relação a minha aparência, mas com relação a vida, e por isso essa necessidade de deixar pra trás o passado, não apenas da boca pra fora.

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Nos últimos oito anos cortei o cabelo bem curto, alisei, pintei, cortei franja, cortei joãozinho, me arrependi, pus alongamento, pintei de novo, deixei crescer, passei máquina um, deixei cachear, deixei crescer de novo, alisei e me arrependi, nunca mais cortei, mas alisei e me arrependi de novo. E todos os dias quando me olho no espelho penso: preciso mudar esse cabelo!

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Nos últimos oito anos tive minha primeira grande decepção amorosa, abandonei a escola e tentei voltar um milhão de vezes, sem sucesso. Me envolvi num relacionamento ignorando todos os avisos de cilada iminente, sai de casa, voltei pra casa, sai de casa de novo uma pá de vezes e voltei a mesma pá de vezes me sentindo completamente perdida e fracassada. Enfiei todas as minhas coisas nas malas e me enfiei num avião, voltei meses depois com as malas mais pesadas e o coração também. Conheci um cara legal que não falava minha língua, senti saudades dele durante muitas noites. Cometi erros, me arrependi amargamente, prometi nunca mais cair nas mesmas burradas só pra um tempo depois repeti-las. Me afundei no relacionamento cilada e quando ele finalmente acabou arrumei outro relacionamento mais cilada ainda pra tapar o buraco. Fiz mais um monte de viagens de avião só pra voltar sempre pra o mesmo ponto de partida cada vez mais saudosa e perdida. Acreditei ter encontrado o fundo do poço várias vezes e sempre descobri que todo fundo de poço tem mola. Mudei de casa, conheci gente legal, conheci gente sacana, conheci gente que nem me lembro mais. Me livrei dos relacionamentos cilada. Caguei todos os outros relacionamentos que poderiam ter dado certo só pra não trair o padrão cilada que havia estabelecido. Encontrei ‘minha tribo’, me senti uma estranha onde achei que seria o meu ninho. Fiz teatro, conheci de verdade a cidade onde nasci. Conheci os filmes do Almodóvar. Tive dois gatos, brinquei de decorar um apartamento, perdi a cabeça e percebi mais uma vez que todo fundo de poço tem mola. Parei de viver pra tentar me refazer, me escondi do mundo. Adotei um outro gato. Conheci de verdade a cidade onde minha família sempre morou, dediquei todo meu ódio a ela e tive que aprender a deixar de odiá-la. Fiz amizades, inventei uma paixão pra me rasgar inteira. Aprendi a andar de skate. Peguei emprestado um violão, comprei livros novos que ainda não terminei de ler. Terminei o supletivo. Fiz um curso e finalmente entendi qual a ‘minha tribo’ mesmo que ainda me sinta uma estranha em meio a ela. Me matriculei num curso de um ano e meio, me decepcionei no primeiro mês de aulas, me prometi levar até o fim mesmo assim. Arrumei um emprego, conheci gente legal, fiz coisas que jamais imaginaria fazer, senti orgulho de mim mesma. Fiz e refiz planos pra entender que o caminho que nos liga aos nossos objetivos dificilmente traça uma linha reta. Estou sendo obrigada a me resolver com todos os meus fantasmas e todos os dias penso: preciso mudar essa vida!

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e se eu fosse o primeiro a voltar pra mudar o que eu fiz quem então agora eu seria?

 se o que eu sou é também o que eu escolhi ser aceito a condição.

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